História da Raça
CAVALO CAMPOLINA
A Origem da Raça Campolina
Em 1870, Cassiano Antônio da Silva Campolina, nascido em 10 de julho de 1836, em São Brás do Suaçuí (MG), recebeu de seu amigo Antônio Cruz, fazendeiro de Juiz de Fora, uma égua chamada Medéia. Ela estava prenhe de um garanhão autêntico Andaluz pertencente a Mariano Procópio, engenheiro, político e grande incentivador da modernização do Brasil Imperial. Mariano era proprietário da famosa Villa Ferreira Lage, em Juiz de Fora, e amigo pessoal do Imperador Dom Pedro II, que o visitava frequentemente. Ele também foi o responsável pela construção da Estrada União e Indústria, a primeira estrada pavimentada da América Latina.
Do cruzamento entre Medéia e o garanhão Andaluz, este sim presente de Dom Pedro II para Mariano Procópio, nasceu um belo potro de pelagem preta, que posteriormente escureceu para tordilha negra. O potro foi batizado de Monarca, em alusão ao Imperador. Criado na Fazenda do Tanque, em Entre Rios de Minas, Monarca é considerado o marco inicial da Raça Campolina.
Cassiano, idealizador e fundador da raça, iniciou um trabalho técnico de seleção genética, buscando animais de elevado porte, robustez, resistência e andamento cômodo, capazes de atender às exigências das longas cavalgadas da época. Seu objetivo era formar cavalos ideais tanto para transporte quanto para uso militar, em cavalgadas, tração de veículos e montaria dos dragões da Milícia Real. Para isso, Utilizou, além de Monarca, raças como Puro Sangue Inglês, Anglo-Normando, Clydesdale, Oldemburgo e outras de origem ibérica, criando um tipo único de animal brasileiro.
Monarca viveu 25 anos na Fazenda do Tanque e faleceu em 1898, aos 28 anos. Sua genética foi a base de linhagens importantes como Monarca II, Monarca III, Leviano, Predileto, Pope, Baiardo, Nobre, entre outros.
Com a morte de Cassiano Campolina em 1904, seu legado foi continuado por Joaquim Pacheco de Resende, que se mudou para a Fazenda do Tanque e renomeou-a como Fazenda Campolina, em homenagem ao amigo. A partir de então, a família Resende deu continuidade ao aprimoramento da raça.
Desenvolvimento da Raça após Cassiano Campolina
Após a morte de Cassiano Campolina, diversos criadores assumiram o desafio de manter e desenvolver a raça. Criadores das regiões de Entre Rios, Campos da Mantiqueira, Rio Manso, e do entorno de Ouro Preto, passaram a cruzar o Campolina com outras raças como o Puro Sangue Inglês, Mangalarga, Anglo-Normando e até árabes, buscando fortalecer a estrutura, andamento e pelagem dos animais.
Na década de 1930, criadores como Paulo Rocha Lagôa, Joaquim Resende, Bolívar de Andrade, Waldemar Urbano, Cel. Américo de Oliveira, Cel. Gabriel Augusto de Andrade, Bolivar de Andrade, Antônio Dutra, Herculano de Abreu, Renato Pereira Sobrinho , Ascânio Diniz e tantos outros, fundaram o Consórcio Profissional Cooperativo dos Criadores da Raça Campolina, na cidade de Barbacena, que culminou na criação da ABCCCampolina – Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Campolina, em 1951, com sede em Belo Horizonte.
Entre os grandes nomes desse período, destacam-se Bolívar de Andrade, criatório Passa Tempo, e Gastão Rezende, criatório Gas. Esses criadores foram fundamentais para corrigir desequilíbrios genéticos e refinar o tipo desejado da raça.
O Campolina passou então a ser valorizado não só pelo porte e beleza, mas também pela marcha confortável, tornando-se um cavalo versátil tanto para trabalho quanto para lazer.
Hoje, mais de 150 anos após o nascimento de Monarca, todos os criadores da raça são herdeiros dessa rica história e responsáveis por manter viva a tradição e a evolução contínua do Cavalo Campolina, símbolo de elegância, força e funcionalidade.
O cavalo Campolina é dócil, tem uma beleza característica incontestável e seus movimentos harmoniosos tornam sua montaria nobre e confortável. O tamanho ideal do cavalo Campolina é de 1,58m para os machos, enquanto para as fêmeas a altura média fica em 1,52m, com peso médio de 500 kg, com andamento do tipo Marcha Picada e Batida, deixando para o gosto do usuário e do criador a melhor seleção.
Referências
1- Ferreira CQ, Maia Filho OF. ABCCC – Campolina a História de uma raça. 474 páginas. Ed Al Viva, 2011.
2- Resende EO. De Bromado a Entre Rios de Minas… Sua Arte, Sua História. 360 páginas. Editora Mandala, 2021.
3- O Campolina. Páginas 79 – 81. Revista dos Criadores (recortes), 1965.
Animais inscritos no Livro de Elite da ABCCCampolina
01- Júpiter de Passa Tempo
02- Gás Dengoso
03- Xepeiro de Passa Tempo
04- Desacato da Maravilha
05- Promessa de Santa Rita
06- SSPA de Santa Rita
07- Neruda do Chiribiribinha
08- Agitada da Duas Marias
09- Geodo do Oratório
10- Viação de Sans Souci
11- Ópera da Fronteira
12- Gavião do Barulho
13- Iluminado de Alfenas
14- Xena de Alfenas
15- Figura do Barulho
16- Nairobe Mandala
17- Induto de São Judas
18- Monifa da Hibipeba
19. Quintão da Água Santa
20. Quartel II de Passa Tempo
21. Invasor J.H.R
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